terça-feira, janeiro 15, 2008

As flores I

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Estou sentado à mesa da sala, virado para a janela grande. À minha direita está, como sempre, a jarra. Desde sábado, uma braçada de rosas-chá marca o espaço.

Nunca consegui explicar porque é que as flores me fazem uma companhia tão fundamental. Numa introspecção superficial emerge, apaziguadora, a sensação de beleza. Subliminar a todo o meu “estar”. Este “estar” que, destituído desta presença cai, com demasiada naturalidade, na instabilidade e na melancolia. Quando, em maré de reflexão, me alheio dela (seja porque não as haja – o que é raro – seja por não as ver), é quase certo que me invade a nostalgia.

Volto-me então para a janela das traseiras que o sol não alcança. Mergulho naquela solidão absoluta que faz do silêncio o primeiro plano da realidade e da meditação essa serena viagem aos confins da alma. Como se o mundo se calasse e nos deixasse a sós com o nosso destino…
As flores são os antípodas disto. Ficam a sul. À luz forte do meio-dia. Restauram, com a serenidade das certezas, a alegria do viver. Filosoficamente estabelecem a precariedade definitiva da existência. Paradigma da dignidade da beleza perante a evidência de um desaparecimento tão próximo como inevitável…

7 comentários:

CresceNet disse...

Hello. This post is likeable, and your blog is very interesting, congratulations :-). I will add in my blogroll =). If possible gives a last there on my site, it is about the CresceNet, I hope you enjoy. The address is http://www.provedorcrescenet.com . A hug.

Anónimo disse...

"As rosas amo dos jardins de Adónis
essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em que nascem
Em esse dia morrem.

A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o Sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.

Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há noite antes e após
O pouco que duramos."

Ricardo Reis



As rosas sempre estimularam os intelectos, e este é de peso... Depois, há por aí umas lídias vulneráveis a elas, rendendo-se facilmente à sua beleza e mansidão, e esquecendo o seu lado sombrio, o da fugacidade da vida.
Sobre o tema, é difícil encontrar texto mais expressivo do que este. R. R. faz-nos aceitar o "carpe diem" como uma opção de vida que conduz inexoravel, mas serenamente, sem sobressaltos, ao "barqueiro sombrio".

P.S. Já agora, rosas-chá e pequenos-almoços de fim-de-semana na cama são uma combinação deliciosa...

Anónimo disse...

mas que belo engodo...

Anónimo disse...

Com papas e bolos se enganam os tolos...

miss daisy disse...

Olá, JNP
Gosto muito do teu blog, enche-me a alma a tua escrita. Só lamento que nem sempre ela lá esteja. Quando começas a ser mais assido?
É pena, porque os blogs criam hábitos, e gostaria de o abrir e encontrar mais textos.
Vou ser insistente...
Sempre quero ver se aceitas o desafio.ás vezes é preciso alguém que insista...

Até á próxima!

Anónimo disse...

o 'I' prometia a sequência, mas não por, eventualmente, se encontrar perto do fim, mas por estar dentro dele, o autor fenece à qq pequena contrariedade.
reumático?
bicos de papagaio?

Anónimo disse...

Mas porque se escreve tão mal? Duas adversativas (mas) juntas na mesma frase?
E sem aludir ao conteúdo que é um pretenso insulto ao autor! Inveja? Ou pura maldade?
"Porqué no te callas?"Achas que alguém está interessado nas tuas opiniões?

E isto para não falar do comentário anterior cheio de erros!

Esperemos que haja alguma contenção nas ideias e na sua expressão. Ou pelo menos, mais empenhamento.